Se ficar doente antes do voo, a companhia não é obrigada a devolver o bilhete, mas pode recuperar as taxas aeroportuárias e, com tarifa reembolsável ou seguro de cancelamento, o valor total.
Também pode ser precisa uma autorização específica (MEDIF) em casos em que a saúde do passageiro condiciona a segurança do voo (por exemplo: doença contagiosa).
Acima de tudo, voar doente pode ser perigoso para o próprio passageiro, especialmente devido às condições únicas de uma viagem aérea. A pressão causada pela elevada altitude, por exemplo, pode agravar doenças pulmonares e cardíacas devido à escassez de oxigénio.
Se está doente, informe-se junto de um especialista. Seguir a opinião médica é mais seguro do que seguir o instinto pessoal.
E se não puder voar, dá para recuperar o dinheiro do bilhete?
Recuperar o dinheiro do bilhete é possível, mas geralmente improvável. O ponto-chave a reter é que a compensação por perturbações de voo prevista no Regulamento (CE) n.º 261/2004 não protege os passageiros em caso de doença.
O que precisa de saber:
Antes de viajar doente, informe-se relativamente a potenciais formulários MEDIF obrigatórios.
Se quiser prevenir problemas em voos por motivos médicos, compre um bilhete de avião com tarifa reembolsável e/ou um seguro de viagem com cobertura médica e de cancelamento.
Voar doente não é recomendável (e pode exigir autorização) em caso de doença altamente contagiosa, doença cardíaca ou pulmonar grave, cirurgia recente, e obstrução intestinal (entre outros).
O embarque pode ser recusado por motivo de doença, mas se achar que a recusa de embarque foi injustificada, existe a possibilidade de compensação.
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Como recuperar o dinheiro do bilhete (sem garantias)

Se tinha um voo marcado, ficou demasiado doente para viajar, e pretende recuperar o dinheiro do bilhete, confiar na boa vontade da companhia aérea pode ser a melhor solução.
As transportadoras não são legalmente obrigadas a reembolsar passageiros demasiado doentes para viajar, mas podem escolher reembolsar um passageiro doente para, por exemplo, obedecer a políticas internas ou evitar crises de relações-públicas.
Por este motivo, é recomendável:
Pedir um atestado ao seu médico
Contactar prontamente a companhia aérea
Guardar todos os documentos e comunicações com a transportadora
Em caso de recusa, reclame no Livro de Reclamações eletrónico e, sem resposta em 15 dias úteis, avance para o CNIACC
Há duas situações em que o reembolso é bem mais provável: tarifa reembolsável e seguro de viagem com cobertura de cancelamento. Confirme sempre as condições da tarifa antes de comprar.
Tarifas com direito a reembolso do bilhete
No contexto dos bilhetes de avião, as tarifas são categorias de preço associadas a certas vantagens. Uma dessas vantagens é o direito ao reembolso do bilhete, aplicável mesmo em caso de doença.
É importante lembrar que uma tarifa reembolsável não garante o reembolso de todos os bilhetes. Os sistemas de tarifas e reembolsos montados pelas companhias aéreas modernas vão além da tradicional classe económica vs. classe executiva.
Por exemplo: a TAP Portugal oferece dois planos executivos com reembolso (Executive e Top Executive), mas o bilhete Executive não é "totalmente reembolsável" (aplica-se apenas a taxas aeroportuárias).
Seguro de viagem
Fazer um seguro de viagem é outra maneira eficaz de garantir o reembolso do bilhete ao voar doente, mas nem todos os seguros de viagem servem o propósito.
Para não perder o bilhete de avião devido a uma doença, opte por um seguro de viagem com cobertura médica e de cancelamento. Consulte o nosso guia para escolher o melhor seguro de viagem para mais informações.
Voar doente: quando não é aconselhável
Um estudo publicado na JAMA Network Open demonstrou que 1 em cada 212 voos envolve uma emergência médica. Em 8% dos voos com emergências médicas, os passageiros precisaram mesmo de ser hospitalizados após a aterragem:
Para não fazer parte das estatísticas, é essencial saber que doenças não são compatíveis com viagens de avião. Segundo o Manual MSD para profissionais de saúde, estas são as principais contraindicações a viagens aéreas a considerar:
Condição | Porque é perigoso |
Infeção altamente contagiosa | Possibilidade de contágio. |
Imunodeficiência grave | |
Doença cardíaca grave | Escassez de oxigénio provocada pela diminuição da pressão atmosférica a partir, aproximadamente, dos 1.800 metros. |
Doença pulmonar grave | |
Enfarte do miocárdio | |
Angina instável | |
Cirurgia recente | Expansão de gases provocada pela diminuição da pressão atmosférica. Segundo a Lei de Boyle-Mariotte, o volume de um gás aumenta quando a pressão diminui. Ao expandirem, os gases podem provocar lesões nos tecidos. |
Obstrução intestinal | |
Pneumótorax | |
Bolhas ou cavidades pulmonares | |
Injeção de gás intraocular recente | |
Imobilização da mandíbula | Possibilidade de aspiração de vómito (viajar de avião pode potenciar o vómito devido a enjoo). |
O que significa "fit to fly"?
Em português, "fit to fly" significa "indicado" ou "saudável para voar". Um passageiro é considerado "fit to fly" caso não sofra de nenhuma condição médica, ou a sua condição médica não interfira com a segurança do voo.
O conceito é normalmente associado aos formulários de informações médicas para voos, também conhecidos como "fit to fly forms". Atuam como certificados que garantem que, mesmo em caso de doença, o passageiro está autorizado a voar.
Quando é preciso um formulário de informações médicas (MEDIF)?
O formulário de informações médicas (MEDIF) pode ser pedido sempre que a condição médica do passageiro for ou puder ser um obstáculo à segurança do voo.
Na agenda da Passengers Standards Conference 2021, a International Air Transport Association (IATA) indica que o MEDIF pode ser requisitado caso:
O passageiro sofra de uma doença contagiosa
Possa apresentar, por motivos médicos, um comportamento ou condição física que possa afetar a segurança e bem-estar dos outros passageiros
Sofra de uma doença que possa afetar a pontualidade do voo
Necessite de cuidados médicos especiais
Se encontre num estado de saúde que possa ser agravado em consequência do voo
Como evitar dor de ouvidos, desidratação e enjoo no avião

Viajar de avião tem efeitos corporais que podem agravar condições médicas e causar desconforto aos passageiros. Segundo a CUF, viajar de avião tem riscos como:
Aumento dos níveis de stress
Sensação de cansaço
Pressão nos ouvidos
Distensão abdominal
Exposição a micróbios
Os efeitos são inevitáveis, mas estas dicas ajudam a ter um voo mais seguro e relaxado:
Mascar pastilha elástica pode ajudar a minimizar a dor de ouvido no avião experienciada durante a descolagem e aterragem
As viagens aéreas potenciam a desidratação, pelo que é essencial beber muita água e evitar bebidas alcoólicas
Evitar refeições pesadas antes do voo (como referido, os gases expandem durante a viagem, podendo causar desconforto, dor, e lesões nos tecidos)
Ajustar o seu horário de sono ao fuso horário do país de destino pode minimizar os sintomas do jet lag
Se for suscetível a enjoo, é recomendável escolher um assento próximo da asa porque a sensação de movimentação do avião é menor
Dica:A melhor dica de todas? Contactar o seu médico antes de viajar doente para receber uma opinião profissional e especificamente adequada ao seu caso.
Veja também:
O embarque pode ser recusado por motivo de doença?
Sim, uma companhia aérea pode recusar o embarque de passageiros por motivo de doença caso considere que a condição médica dos mesmos possa impactar a segurança do voo. Por exemplo:
Um passageiro com uma doença altamente contagiosa
Um passageiro com uma condição que o leva a ter um comportamento instável
Um passageiro que não submeteu o MEDIF requisitado pela transportadora
Normalmente, a recusa de embarque por doença não dá direito a reembolso ou indemnização.
Contudo, se considerar que a recusa foi injustificada, pode apresentar apresentar uma reclamação. Com uma taxa de sucesso de 98%, a AirAdvisor já ajudou milhares de passageiros a obter uma compensação por recusa de embarque:
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Peça ao seu médico um atestado de aptidão para voar, envie o MEDIF à companhia e peça a remarcação para um voo posterior. Em último recurso, solicite um voo médico (ou medevac), um serviço especificamente criado para pessoas que, por motivo de doença, não podem viajar em voos comerciais (mas com custos avultados).
Viajar de avião grávida não é necessariamente perigoso, mas deve ser evitado a partir das 28 semanas. Se estiver grávida, contacte o seu médico antes de viajar de avião.
Depende da cirurgia. Segundo o Manual MSD, após cirurgia abdominal ou torácica convém esperar cerca de 10 dias; após injeção de gás no olho, várias semanas. Peça ao cirurgião uma data concreta.
A principal causa é o baixo nível de humidade do ar a elevada altitude. O ar exterior é aquecido e pressurizado dentro da cabine, mas continua a ser "seco", originando sintomas como garganta e boca seca e maior sensação de sede.









